Pular para o conteúdo
Envio para todo o Brasil · Frete grátis em todos os kits

Síndrome das pernas inquietas: por que as pernas não sossegam à noite

Por Equipe Editorial BrainPlusAtualizado em 9 min de leitura
Resposta rápida

A síndrome das pernas inquietas é um distúrbio neurológico que causa uma vontade incontrolável de mexer as pernas, com sensações desconfortáveis que surgem em repouso, pioram à noite e melhoram ao se movimentar. Pode estar ligada a falta de ferro, gravidez, doença renal e alguns remédios. Tem tratamento, que começa por investigar o ferro.

Você deita, apaga a luz e, poucos minutos depois, sente uma agonia nas pernas: formigamento, repuxo, uma sensação difícil de explicar que só passa quando você mexe, levanta ou anda. Isso tem nome: síndrome das pernas inquietas, um distúrbio neurológico que provoca vontade incontrolável de mexer as pernas, principalmente à noite e em repouso. Ela atrapalha muito o sono, mas tem tratamento, e uma das causas mais comuns, a falta de ferro, é simples de investigar. Neste guia você vai entender os sintomas, as causas, a relação com o ferro e com o magnésio, o que fazer hoje à noite e quando procurar um médico.

O que é a síndrome das pernas inquietas

A síndrome das pernas inquietas, também chamada de doença de Willis-Ekbom, é uma condição do sistema nervoso. Ela envolve o funcionamento da dopamina, um mensageiro químico do cérebro ligado ao controle dos movimentos, e o metabolismo do ferro no cérebro.

Ela é relativamente comum, aparece em qualquer idade e tende a ser mais frequente com o passar dos anos e em mulheres. Muitas pessoas convivem com os sintomas por muito tempo achando que é “má circulação”, “nervoso” ou “cansaço nas pernas”, sem saber que existe um diagnóstico e tratamento.

Sintomas da síndrome das pernas inquietas

O diagnóstico é clínico, ou seja, feito pela conversa com o médico. Os especialistas usam quatro características principais, que precisam estar presentes juntas:

  1. Vontade urgente de mexer as pernas, geralmente acompanhada de sensações desconfortáveis.
  2. Os sintomas começam ou pioram em repouso, sentado ou deitado.
  3. O movimento alivia, pelo menos enquanto você está se mexendo.
  4. Os sintomas pioram no fim da tarde e à noite.

Além disso, o médico precisa descartar outras causas que imitam esses sintomas, como câimbras, problemas de circulação, dores articulares ou posição desconfortável.

SintomaComo as pessoas costumam descrever
Sensações nas pernasFormigamento, repuxo, coceira por dentro, “bichinhos andando”, choque, agonia, queimação
LocalPrincipalmente panturrilhas e coxas; às vezes braços
Quando apareceAo deitar, ao assistir TV, em viagens longas de carro, ônibus ou avião, no cinema
O que aliviaAndar, alongar, mexer as pernas, massagear
Efeito no sonoDificuldade para pegar no sono, despertares, sono leve
Movimentos durante o sonoChutes ou trancos repetitivos nas pernas, muitas vezes notados pelo parceiro
Durante o diaCansaço, sonolência, irritação, dificuldade de concentração

Muitas pessoas com pernas inquietas também têm movimentos periódicos dos membros durante o sono: pequenos trancos ou chutes repetitivos que fragmentam a noite, mesmo sem acordar totalmente. Por isso é comum que a pessoa ache que tem insônia, quando na verdade o problema está nas pernas.

Pernas inquietas: causas

A síndrome pode ser primária, quando não há uma causa identificada, ou secundária, quando está ligada a outra condição.

Primária (sem causa identificada)

É frequente haver outros casos na família, o que mostra um componente genético. Nesses casos, os sintomas costumam começar mais cedo, às vezes ainda na juventude, e evoluir devagar ao longo dos anos.

Secundária (ligada a outra condição)

  • Deficiência de ferro: uma das causas mais importantes, mesmo sem anemia.
  • Gravidez: especialmente no terceiro trimestre; os sintomas costumam melhorar depois do parto.
  • Doença renal crônica: principalmente em quem faz diálise.
  • Neuropatia periférica: como a causada por diabetes.
  • Medicamentos: alguns antialérgicos que dão sono, certos antidepressivos, antipsicóticos e remédios para enjoo podem desencadear ou piorar os sintomas. Não suspenda nenhum remédio por conta própria: converse com o médico.
  • Privação de sono, cafeína, álcool e cigarro: não causam a síndrome sozinhos, mas costumam piorar os sintomas.

Deficiência de ferro e pernas inquietas

A relação entre ferro e pernas inquietas é uma das mais bem estabelecidas na medicina do sono. O ferro é necessário para o funcionamento da dopamina no cérebro. Quando os estoques de ferro estão baixos, esse sistema funciona pior, e os sintomas aparecem ou se intensificam.

Um ponto importante: você pode ter estoque baixo de ferro sem ter anemia. Por isso, o médico costuma pedir não só o hemograma, mas também exames que medem as reservas de ferro, como a ferritina e a saturação de transferrina. Para quem tem pernas inquietas, os especialistas costumam considerar desejável um nível de reserva de ferro mais alto do que o usado para descartar anemia, e essa avaliação é individual.

Quem tem mais risco de ferro baixo:

  • Mulheres com menstruação intensa.
  • Gestantes.
  • Pessoas que doam sangue com frequência.
  • Quem tem dieta pobre em ferro ou doenças que atrapalham a absorção.
  • Quem passou por cirurgia bariátrica.

Não tome ferro por conta própria. O excesso de ferro também faz mal e pode se acumular no organismo. A reposição, por via oral ou pela veia, deve ser indicada e acompanhada pelo médico, com exames antes e depois. Também é importante descobrir por que o ferro está baixo.

Magnésio para pernas inquietas: o que diz a evidência

O magnésio é muito procurado para pernas inquietas, câimbras e para ajudar a relaxar antes de dormir. Ele participa do funcionamento muscular e do sistema nervoso, e por isso a ideia faz sentido à primeira vista. Mas é preciso ser honesto: a evidência de que o magnésio trata a síndrome das pernas inquietas é limitada. Os estudos são poucos, pequenos e com resultados inconsistentes, e as diretrizes de especialistas não o colocam entre os tratamentos de referência.

Na prática:

  • Algumas pessoas relatam melhora, mas isso pode ter outras explicações.
  • Magnésio não substitui a investigação do ferro nem o tratamento médico.
  • Quem tem doença renal deve evitar suplementos de magnésio sem orientação, porque o rim é responsável por eliminar o excesso.
  • Câimbra e pernas inquietas são coisas diferentes: a câimbra é uma contração dolorosa do músculo; nas pernas inquietas, há vontade de mexer e alívio com o movimento.

Se quiser entender melhor os tipos de magnésio e o papel dele no sono, veja o guia sobre magnésio para dormir.

O que fazer hoje à noite para aliviar as pernas inquietas

Estas medidas não substituem o tratamento, mas ajudam muitas pessoas, principalmente nos casos leves:

  1. Caminhe ou alongue antes de deitar. Alguns minutos de alongamento de panturrilha e coxa costumam ajudar.
  2. Massageie as pernas ou use uma bolsa morna. Algumas pessoas preferem frio; teste o que funciona para você.
  3. Tome um banho morno no fim da noite.
  4. Corte cafeína a partir da tarde: café, chá preto, mate, refrigerantes à base de cola e energéticos.
  5. Evite álcool e cigarro, que costumam piorar os sintomas.
  6. Mantenha a mente ocupada quando estiver em repouso: atividades que prendem a atenção, como palavras cruzadas, leitura ou tricô, aliviam algumas pessoas.
  7. Faça exercício físico moderado e regular, de preferência durante o dia. Exercícios muito intensos à noite podem piorar.
  8. Tenha horários regulares de sono. A privação de sono intensifica os sintomas.
  9. Em viagens longas, escolha o corredor e levante-se de tempos em tempos.

Uma rotina estável de sono melhora a qualidade do sono e ajuda a lidar melhor com as noites difíceis. As regras completas estão no guia de higiene do sono.

Pernas inquietas: tratamento médico

O tratamento é feito pelo médico e depende da intensidade dos sintomas e da causa:

AbordagemQuando costuma ser usadaObservação
Investigar e repor ferroQuando os estoques estão baixosPode ser por via oral ou pela veia, sempre com acompanhamento
Rever medicamentosQuando algum remédio pode estar piorando os sintomasSó o médico deve trocar ou suspender
Mudanças de hábitoEm todos os casosExercício, menos cafeína e álcool, rotina regular
Medicamentos de prescriçãoSintomas moderados a intensos que atrapalham o sono e a vidaHá diferentes classes; algumas podem perder efeito ou piorar os sintomas com o tempo, por isso o acompanhamento é essencial
Tratar a condição de baseDoença renal, neuropatia, gravidezEnvolve outros especialistas

Sobre suplementos para dormir: a síndrome das pernas inquietas não é tratada com suplementos de melatonina, chás ou produtos naturais. Eles podem fazer parte de uma rotina noturna, mas a base do cuidado é investigar o ferro e seguir o tratamento indicado pelo médico. Também vale lembrar que antialérgicos que dão sono, às vezes usados para dormir, podem piorar as pernas inquietas.

Pernas inquietas na gravidez

A gravidez é uma das fases em que a síndrome mais aparece, especialmente no último trimestre. A necessidade maior de ferro e as mudanças hormonais estão entre as explicações. A boa notícia é que, na maioria das vezes, os sintomas melhoram ou desaparecem depois do parto. Converse com o obstetra sobre exames de ferro e medidas seguras. Gestantes não devem usar medicamentos, suplementos de melatonina ou de magnésio sem orientação médica.

Pernas inquietas e outros problemas do sono

A síndrome pode coexistir com outros distúrbios, e um piora o outro. Quem tem pernas inquietas e também ronca alto ou tem pausas na respiração deve investigar apneia do sono. E quando os movimentos das pernas aparecem só durante o sono, sem a sensação de vontade de mexer acordado, pode ser outro quadro, que o médico do sono diferencia com a polissonografia. Veja outros problemas na página de distúrbios do sono.

Quando procurar um médico

Procure avaliação se:

  • Os sintomas atrapalham o seu sono com frequência.
  • Você sente cansaço ou sonolência durante o dia por causa das noites ruins.
  • Os sintomas começaram depois de um remédio novo.
  • Você está grávida, tem menstruação intensa, doença renal ou diabetes.
  • Os sintomas estão ficando mais fortes, aparecendo mais cedo no dia ou se espalhando para os braços.

Qual especialista procurar: o neurologista é o mais indicado para diagnóstico e tratamento. O médico especialista em medicina do sono também trata e pode pedir polissonografia quando há dúvida ou outro distúrbio associado. O clínico geral pode começar a investigação com exames de ferro, função renal e glicemia. Na gestação, o obstetra participa do cuidado.

Resumo: o que saber sobre a síndrome das pernas inquietas

A síndrome das pernas inquietas é um distúrbio neurológico que causa vontade incontrolável de mexer as pernas, com sensações desconfortáveis que aparecem em repouso, pioram à noite e melhoram com o movimento. Pode ser primária, com tendência familiar, ou secundária a falta de ferro, gravidez, doença renal, neuropatia e alguns medicamentos. A deficiência de ferro é uma das causas mais importantes e deve ser investigada com exames, sem reposição por conta própria. O magnésio é popular, mas a evidência para pernas inquietas é limitada. Alongamento, menos cafeína e álcool, exercício regular e horários estáveis ajudam. Se os sintomas atrapalham o sono, procure um neurologista ou um médico do sono.

Perguntas frequentes

Qual a principal causa da síndrome das pernas inquietas?

Em muitas pessoas não há uma causa única identificada, e a tendência familiar é comum. Entre as causas conhecidas estão a deficiência de ferro, a gravidez, a doença renal crônica, a neuropatia e alguns medicamentos, como certos antialérgicos, antidepressivos e remédios para enjoo. Investigar o ferro é um dos primeiros passos.

Falta de ferro causa pernas inquietas?

A deficiência de ferro é uma das causas mais bem estabelecidas. O ferro participa do funcionamento da dopamina no cérebro, e estoques baixos podem desencadear ou piorar os sintomas, mesmo sem anemia. O médico costuma pedir exames como a ferritina. Não tome ferro por conta própria, porque o excesso também faz mal.

Magnésio ajuda nas pernas inquietas?

A evidência é limitada. O magnésio é popular para câimbras e relaxamento, e algumas pessoas relatam melhora, mas os estudos em síndrome das pernas inquietas são poucos e não mostram um benefício claro. Ele não substitui a investigação do ferro nem o tratamento indicado pelo médico.

Qual médico trata pernas inquietas?

O neurologista é o especialista mais indicado, e o médico especialista em medicina do sono também trata. O clínico geral pode iniciar a investigação, pedir exames de ferro e de função renal e encaminhar. Na gravidez, o obstetra deve ser envolvido.

Pernas inquietas tem cura?

Quando a síndrome tem uma causa tratável, como falta de ferro ou gravidez, os sintomas podem melhorar muito ou desaparecer. Quando não há causa identificada, a síndrome costuma ser crônica, mas pode ser bem controlada com mudanças de hábito e, se necessário, medicamentos prescritos.

Por que as pernas inquietas pioram à noite?

Os sintomas seguem um ritmo ao longo do dia e tendem a ser mais fortes no fim da tarde e à noite, especialmente em repouso. Além disso, ficar parado, deitado ou sentado por muito tempo é justamente o que desencadeia a sensação. Por isso a síndrome atrapalha tanto o início do sono.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. Se a dificuldade para dormir dura mais de três meses, atrapalha o seu dia ou vem com ronco forte, pausas na respiração, tristeza persistente ou ansiedade intensa, procure um profissional de saúde.

Fontes e referências

Equipe Editorial BrainPlus
Escrevemos guias sobre sono com base em fontes oficiais e científicas e revisamos o conteúdo periodicamente. Saiba como trabalhamos na nossa política editorial.

Continue lendo

a partir de12x R$ 20,37
Ver kits